16 de set de 2010

Vou ver o mundo lá fora.


Olhos cheio d'água.
Como alguém acha que tem este direito?
Entreguei meu coração para uma pessoa qualquer tentar acabar com isso?
Não tenho fome, minha boca está seca mas nem água me desce. Meu corpo dói e eu tive, infelizmente, que reviver novamente a mesma noite de algum tempo atrás. Minha barriga, sempre leva a bronca por tanta dor, sempre sofre as consequências.
Penso em um lugar para sumir, uma aula a matar, um abraço ao qual me apoiar.
Ninguém me entende, e todos parecem contra. Eu já vejo, eu já enxerguei cada detalhe. Não preciso de mais broncas e pessoas me dizendo tudo o que eu já sinto e tudo o que eu já vejo.Preciso de abraço, apoio!
Eu nunca tinha feito isto, mas hoje pela primeira vez, rodopiei pela casa, o tapete da sala foi onde depositei minha maior concentração, enquanto tentava seguir traço por traço daquele retângulo.
Quantas vezes abri meu coração, me entreguei, corpo e alma. E hoje não sei pra quem fiz tudo isto. Não sei em quem dei meus melhores beijos e meus melhores abraços, não sei quem consolei quando preciso e enxuguei as lágrimas, não sei quem me contou e dividiu comigo teus problemas, não sei exatamente nada sobre a pessoa a qual convivi.
A vontade de pegar um ônibus me veio a mente, um ônibus qualquer. Sem destino algum.
Sai de casa, está frio, tempo fechado e muitos ventos, devem estar de acordo comigo. Me veio um medo a tona, meu coração acelerado como se todas as pessoas pudessem me machucar, eu teria que aprender tudo novamente, sozinha.
Passear entre avenidas, observar as pessoas, cada traço de teus rostos com certeza me prenderia a atenção por horas.
Cada personalidade que passa ao nosso lado sem se quer notarmos, tive vontade de sair a fora e não ter motivos para voltar.
Vontade de entrar neste ônibus e conhecer cada pessoa para ter a certeza de que nem todos são iguais a você. Para saber que ainda tenho o dom de saber a personalidade de cada um após uma rápida conversa. Saber que você foi apenas um passageiro em vão, que sentou no último banco e não fez questão de a mim prender sua atenção, apenas com a cabeça baixa e sem se demorar neste ônibus passando logo para outro.
Desejei que este ônibus que você entrou jamais cruzasse o meu caminho ou qualquer avenida que eu venha a passar. E que nele ninguém te note e todos saibam que você realmente não vale a pena.
Tive vontade de conhecer e rir. Colocar uma música alta e puxar todos para dançar.
Percebi logo também, no primeiro banco, com um desânimo parecido com o meu, porém disfarçado como quem está feliz. Era uma mulher. Muito bonita por sinal, um jeito de menina, menina desajeitada. Decote e shorts. Me olhava e muito. Olhava com rancôr, como seu eu a tivesse roubado algo. Queria minha vida? Reparava em cada detalhe que eu continha. Minhas roupas, cabelos e tudo a sua vista, olhava rapidamente mas a todo momento. Queria atenção. Ou talvez queria quem tinha meu coração. Não lhe entrego e faça o favor de deste ônibus descer, entre num trem quem sabe. Mas não precisa mais me aparecer.
Continuei sorrindo e me empolgando a cada nova conversa que surgia, tentava ao máximo me distrair e não procurar o moço do último banco mesmo sabendo que não estava mais ali. E principalmente, tentava não esperar que você fosse um novo passageiro a entrar.
Andei muito, conheci tanta gente e minha empolgação, meus gritos e sorrisos escondendo lágrimas ficaram conhecidos.
Percebi e aprendi, nem todos vão me magoar, e os que o fizerem alguns sairão da minha vida, de cabeça baixa sem que eu sinta falta alguma, outros vão continuar, por vontade minha, ao meu lado. Me magoando ou não, alguns eu quero aqui.
E por fim, minha maior vontade foi, ao descer do ônibus, saber que essa viagem não tenha sido em vão, assim como nossa história e que ninguém tem o dom de mudar isso.

5 comentários:

  1. Às vezes o que todos nós queremos é sumir, fugir da nossa própria realidade... Esse texto fez-me refletir minhas próprias vontades e alguns acontecimentos que me ocorreram. Algumas pessoas mesmo que por alguns segundos, podem marcar nossa vida para sempre!

    Adorei o seu texto, muito lindo, me emocionei...
    Segue-me lá http://madonna-turnner-cardoso.blogspot.com/

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  2. esse texto me lembrou de algo tão tenso :\ adorei *-*

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  3. adorei, odorei a comparação com o onibus. muito bom, escreves muito bem :)

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  4. Verdade mesmo, todos vão nos magoar. O que temos que denotar é: por quem vale a pena sofrer? Clichê, mas real. Como nosso coração podia ser mais inteligente e escolher com mais precisão as pessoas que nos magoriam menos né? Vai passar, gurias. Só isso que digo!
    Beijoca

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  5. Os seus textos me lembram uma pessoa que gosto muito. Não sei se isso é bom ou ruim...até agora. Como disse no post anterior, incrível a tua maneira de deixar o leitor fixado nos textos. Isso é muito bom!

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Quem nunca altera a sua opinião é como a água parada e começa a criar répteis no espírito.
( William Blake)


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Nasci em um domingo de primavera ás 21:00 do dia 29 de Setembro de 1991. 1 mês antes do previsto e regida pelo signo de libra.Apaixonada por livros, séries, músicas, flosofia e tecnologia. Espírita Kardecista. Blogueira por amor e futura webmaster por formação. Nasci na selva de pedra mas meu lar é onde os pés encontram o mar e o sol tocar a pele. ♥ (+)